Os sete tesouros de Niterói


Niterói é uma cidade que entrou na minha vida de várias maneiras e em diferentes épocas. Por uma casualidade do destino eu, que sou uma paulistana, tive em diversos momentos uma relação muito próxima com Niterói. Ao fim e ao cabo, não deu outra: casei-me com um niteroiense. Nesses anos todos – desde a primeira vez que estive em Niterói, nos idos dos anos 90 – até hoje, pude colecionar experiências fantásticas nessa cidade que os cariocas injustamente cismam em desdenhar, chegando a chamar seus habitantes pela maldosa alcunha de “papa-goiaba”. Parecem esquecer-se que Niterói já foi capital do estado do Rio de Janeiro à época do estado da Guanabara… Pois então, para desmentir essas maledicências, irei revelar aqui pequenos grandes tesouros de Niterói. Isso sem falar em seu povo que é um tesouro à parte. Mas aí irão dizer que sou suspeita, de modo que vamos ao que interessa: os melhores palpites de Niterói que farão qualquer carioca babar.

 

1. Praias Oceânicas 

Crédito Mario Howat

A descoberta das praias oceânicas de Niterói deu-se tardiamente quando a baía de Guanabara tornou-se inviável para banhistas em virtude da poluição de suas águas. E como na vida há males que vêm para bem, podemos dizer que apesar do triste fim de Icaraí ainda há Itacoatiara, Piratininga, Camboinhas e Itaipu. No entanto, de todas elas, a jóia da coroa ainda é Itacoatiara. De todas é a mais preservada, reduto de surfistas, e onde a especulação imobiliária ainda não mostrou suas garras.

 

2. Restaurante Seu Antônio 

Fotografia de Pedro Cury

A caminho das praias oceânicas, no bairro do Cafubá, encontra-se o restaurante Seu Antônio. O lugar surpreende por localizar-se numa área estritamente residencial – onde não há quase nenhum comércio – sendo que, em apenas uma de suas ruas, aglomeram-se dezenas de pessoas à espera de uma mesa para desfrutar os maravilhosos pratos da cozinha portuguesa que o restaurante oferece. Mas, calma lá. Essa aglomeração de gente nesse lugar quase inóspito não é uma espera enfadonha. Isso porque o restaurante criou na calçada da frente o famoso Bar da Fila. Ali, você irá tomar o chopp mais gelado da sua vida – em canecas congeladas – e comer o melhor bolinho de bacalhau do Rio de Janeiro – ôpa, do estado do Rio de Janeiro – enquanto espera por sua mesa.

 

3. Mercado São Pedro 

Fotografia de Pedro Gusmão

Localizado na Ponta da Areia, é um programa e tanto para os amantes dos pescados. O grande barato é você poder escolher o peixe que irá comer e vê-lo ser preparado na hora. O mercado existe desde 1973 e é tombado como Patrimônio Imaterial do Rio de Janeiro. É lá que renomados chefs de diversos restaurantes cariocas buscam suas matérias-primas do mar, pois, além do seu frescor, há uma enorme variedade – inclusive raridades – a bons preços. Então, o carioca esperto, ao invés de ir a um restaurante caro no Rio, prefere muitas vezes comer o mesmo peixe no Mercado São Pedro, em Niterói.

 

4. MAC – Museu de Arte Contemporânea 

Orgulho da cidade, o museu é considerado uma das maiores maravilhas arquitetônicas do planeta. Só por isso, já vale a visita. Obra magistral de Oscar Niemeyer, o prédio todo circular parece suspenso sobre as águas da Baía de Guanabara dando a exata percepção de uma fantástica interação da arte com a natureza. O museu é considerado atualmente um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

5. Campo de São Bento 

No meu palpite, é o lugar mais inusitado dessa lista. O nome oficial do Campo de São Bento é Parque Prefeito Ferraz. O que mais chama a atenção no parque, além do seu belo paisagismo é que lá ainda funciona um parque de diversões à moda antiga, com vários carrosséis, carrinhos de bate-bate, gira-gira que sobe e desce, dentre outros. E você ainda compra o ingresso – que não é eletrônico – numa casinha com uma pessoa dentro e depois entrega na fila do brinquedo para o moço ou moça responsável. Você irá se sentir na década de 1970, mas, se ainda não era nascido, com certeza vai achar que está num mundo estranho. O melhor de tudo é que o parque fica bem no centro de Niterói, em Icaraí. Já levei meus filhos lá diversas vezes, pois não há nada que se compare ao Campo de São Bento no Rio de Janeiro atualmente.

 

6. Parque da Cidade 

Fotografia de Mario Howat

Antigamente, era um lugar frequentado apenas pelos casais de namorados e pelos praticantes de asa delta. Hoje, o Parque da Cidade é um lugar onde muita gente vai para desfrutar da sua magnífica vista que abrange a Baía de Guanabara, as praias Oceânicas de Niterói e ainda o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. O lugar é uma APA – Área de Proteção Ambiental, o que garante uma exuberante natureza ao seu redor que ainda vem agraciar os praticantes de suas trilhas e ciclistas.

 

7. Orla de Charitas 

Fotografia de J Simões

Um charme à parte. Charitas é um bairro calmo com ruas arborizadas e bucólicas que desembocam em sua avenida principal que margeia toda a praia. Um convite a um passeio à pé, uma corrida ou simplesmente olhar o horizonte do calçadão. A avenida ainda é cheia de restaurantes e bares para um almoço ou um drink ao cair da tarde. Em Charitas, há ainda a colônia de pescadores Jurujuba e a estação de barcos Catamarãs, outra obra projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que faz parte do Caminho Niemeyer que inclui também o MAC.

 

Esses foram os palpites que uma paulistana radicada no Rio de Janeiro, muito atrevidamente, deu sobre Niterói. E então? Animou-se a atravessar a Ponte ou ela ainda lhe parece um portal para um lugar distante cuja única vantagem, segundo os cariocas, é a vista do Rio de Janeiro? Espero, com esses palpites, ter ajudado a mudar essa visão. Tem outros palpites sobre Niterói? Queremos saber!

Maria Carolina Amendolara

administradora de empresas, paulistana com cidadania carioca, mãe de Graziela e Francisco, ama tomar vinho e cozinhar para os amigos, nossa morena encaracolada, e, claro, palpiteira.

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